Mais ou menos dois anos atrás comprei o famoso livro de Dan Brown – O Código da Vinci. Logo nas primeiras folhas fui pego de surpresa com a nota do autor em uma das paginas onde se intitula “Fatos”. Os escritos das ultimas linhas me chamaram a atenção:
"Todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos neste romance correspondem rigorosamente à realidade".
Empolgadíssimo com a leitura do romance, logo perdi o foco central do livro sobre a vida de Jesus e Maria Madalena, fiquei super empolgado com o teor das teses e relatos históricos presente no livro, e em particular, uma das passagens do livro onde Teabing (um dos personagens da trama) cita o Imperador Constantino e o Concilio de Nicéia. Nesse ponto do livro me senti obrigado a repensar alguns assuntos, inclusive porque o Domingo é o dia santo aos cristãos.
Gostaria de deixar bem claro que descreverei teses existentes, a disposição de todos em bons livros e na internet, não minha opinião em particular, cada um tire sua conclusões.
Para entender melhor o assunto a ser abordado, primeiro vamos ver a origem dos nomes dos dia da semana.
Os dias da semana, têm seus nomes na língua portuguesa devido à liturgia católica por iniciativa de Martinho de Dume, que denominava os dias da semana da Páscoa com dias santos em que não se deveria trabalhar. Martinho de Dume considerou indigno de bons cristãos que se continuasse a chamar os dias da semana pelos nomes latinos pagãos de Lunae dies, Martis dies, Mercurii dies, Jovis dies, Veneris dies, Saturni dies e Solis dies, originando os nomes litúrgicos:
Prima Feria Domingo
Feria Secunda Segunda-feira
Feria Tertia Terça-feira
Feria Quarta Quarta-feira
Feria Quinta Quinta-feira
Feria Sexta Sexta-feira
Sabbatum Sábado
Observe que o Sabbatum era originado diretamente do hebreu shabbat (Sabá), de conotação evidentemente religiosa. Para os Judeus o Shabbat seria o dia de descanso ordenado diretamente por Deus.
"Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera". [Gênesis 2:1-3]
O imperador Flávio Constatino (280-337 d.C.), após sua conversão ao cristianismo, mudou o nome de Prima Feria para Dies Dominica, que em português quer dizer "dia do senhor."
A corruptela de feria deu origem à feira. O sentido original permaneceu parcialmente em "feriado" e "férias".
Segundo a tradição cristã Jesus Cristo ressuscitou no Domingo (Dia do Sol, Dies Dominica), o primeiro dia da semana, esse dia passou a ser o Dia do Senhor dos cristãos. Todavia, a expressão Dia do Senhor é mais antiga do que Cristo, haja vista que era usada pelos babilônicos séculos antes com referência ao dia sagrado ao deus Shamash, o sol (o senhor do culto solar).
Portanto, o Dia do Senhor reverenciado no domingo, tem origens na liturgia pagã em reverência ao deus-Sol, e não da reverência ao Deus Hebreu ou Deus Cristão, pois ambos se referiram ao Shabatt (Sábado) como o Dia do Senhor.
Para melhor compreendermos essa confusão entre o Deus dos pagãos e cristãos vamos voltar aos tempos do Imperador Constantino e seu Concilio de Nicéia.
Constantino é talvez melhor conhecido por ter sido o primeiro imperador romano a oficializar o cristianismo, depois da sua vitória da Batalha da Ponte Mílvio, perto de Roma. Ele mais tarde atribuiu ao Deus cristão a vitória, pois na noite anterior da batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim "In hoc signo vinces" ("sob este símbolo vencerás"), e de manhã, um pouco antes da batalha, mandou que pintassem uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu um vitória esmagadora sobre o inimigo.
Mas, por outro lado, há um relato que vale a pena ser ressaltado. Na época de Constantino, a religião oficial de Roma era o culto de adoração ao sol – o culto do Sol Invictus, ou do Sol Invencível -, e Constantino era o sumo sacerdote.
Constantino foi pagão a vida inteira, só foi batizado e cristianizado no final da vida. Mas apesar de seu batismo, há dúvidas se realmente ele se tornou Cristão. Ele nunca abandonou sua adoração com relação ao deus Sol (Deus Sol Invicto), tanto que em suas moedas Constantino manteve como símbolo principal o sol.
Constantino promoveu uma famosa reunião ecumênica conhecida como Concílio de Nicéia. Foi a primeira conferência de bispos ecumênica da igreja católica. No verão de 325, os bispos de todas as províncias foram chamados ao primeiro concílio ecumênico em Niceia: um lugar facilmente acessível à maioria dos bispos, especialmente aos da Ásia, Síria, Palestina, Egipto, Grécia, Trácia e Egrisi (Geórgia ocidental). O número dos membros não pode exatamente ser indicado; Atanásio contou 318, Eusébio somente 250.
Nesse concílio muitos aspectos do cristianismo foram debatidos e receberam votação – A questão Ariana, A celebração da Páscoa, O cisma de Milécio, O batismo de heréticos, O estatuto dos prisioneiros na perseguição de Licínio.
Uma outra das decisões do Concílio de Nicéia consistiu na transferência do dia de descanso semanal do Sábado para Domingo.
A cristandade celebrava o shabatt (sabá) judeu no sábado, mas há quem acredite que Constantino mudou isso de modo que a celebração coincidisse com o dia em que os pagãos veneram o Sol.
Talvez por ironia dos interesses da época, a maioria dos fiéis vai à igreja da manhã de domingo até hoje, sem fazer a menor idéia de que estão ali para pagar tributo semanal ao deus-sol, e por isso em inglês o domingo é chamado de Sun-day, ou “dia do Sol”.
Ironia ou não, acredito eu que o que vale é a intenção dos fiéis.
Por: Paulo Santana
Fonte: Internet